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Assuma o design da sua vida

Durante muitos anos, passei a maior parte do tempo sendo coadjuvante da minha própria história. Eu até tomava uma decisão aqui e outra ali, mas vivia no piloto automático na maior parte do tempo. Escola, colégio, faculdade, muito do que experimentei na vida nessas épocas foi uma sequência de crenças e modos de enxergar o mundo que pouco contribuíam para uma vida plena, feliz e protagonista.

Vem dessa passividade frente à vida o meu interesse em criar ambientes de transformação pessoal. O Ninho de Escritores e a Oficina de Carinho (que já tem data em São Paulo: 18 de novembro!), bem como meu projeto (secreto) de gamificação da vida (que pretendo estrear no início de 2018 — conversa comigo se tiver interesse em saber mais), são baseados nessa ideia de elaborar ambientes seguros em que as pessoas possam redescobrir como protagonizar suas próprias vidas.

O que esses ambientes têm em comum é o convite a outras formas de perceber, pensar e se colocar no mundo.

A partir do livro O design de sua vida, de Bill Burnet e Dave Evans, encontrei cinco atitudes que ajudam a assumir esse lugar de protagonismo frente à vida: curiosidade, propensão para a ação, reformulação, consciência e colaboração radical. Pense nelas como ferramentas para levar consigo na vida.

Curiosidade

Em vez de aceitar o mundo como é e pressupor que já sabemos o que se pode saber a respeito dele, agir com curiosidade implica em tentar descobrir os mistérios da vida. A curiosidade é a base da criatividade — sem ela, tudo já parece conhecido e, portanto, sem graça.

Quando vejo uma pessoa que não conheço, imediatamente tenho pelo menos duas opções: avaliá-la rapidamente a partir das pistas externas que ela me oferece, como roupas e gestos; demorar-me mais no exercício de apreciar e descobrir o mistério maravilhoso que é a existência de um outro ser humano.

A curiosidade é um fator de atração: aquilo que me deixa curioso me traz para perto, o que é um convite para a segunda atitude.

Propensão para a ação

Um dos grandes traumas dos escritores é a paralisia por análise. Diante de muitas opções, é fácil se entregar à reflexão interminável e achar que está sendo produtivo quando na verdade só está pensando. Eu já estava atento a essa atitude por causa do livro The art of taking action, que me rendeu boas reflexões sobre o que deve ser feito, a falta de controle sobre nossos pensamentos e a importância do esforço.

Ação é movimento. Quando fico parado, minhas chances de viver experiências que melhorem meu estado de vida atual são menores do que quando estou em movimento.

O que essa “ferramenta” da propensão para a ação me pede é que eu teste, experimente, faça coisas, em vez de ficar parado analisando. Só isso. Fazer é mais importante do que pensar sobre o que fazer e sempre é possível fazer pequeno, ou seja, elaborar testes rápidos para avaliar se o que pensamos em fazer realmente produzirá o tipo de resultado que estamos buscando.

Reformulação

Einstein certa vez disse que se tivesse uma hora para resolver um problema de vida ou morte, gastaria 55 minutos refinando a pergunta. O que isso sugere é que a qualidade da pergunta influenciará fortemente as respostas possíveis.

Ao longo da vida, fui acumulando uma série de crenças disfuncionais, ou limitantes. Elaborei (inconscientemente) essas crenças em algum momento da vida para a minha própria proteção. Por exemplo, a ideia de que eu não sou uma pessoa atraente em boates é uma crença disfuncional porque limita minha atuação — mas acreditar nisso já me protegeu do ego ferido nas ocasiões em que ia em festas e ninguém se interessava por mim (o que, por sua vez, ganhava sustentação na ideia de que a atenção dos outros é o que eu precisaria para fortalecer o ego).

Meu cérebro (e o seu também) é excelente em economizar energia. Ele faz tudo o que pode para evitar esforço. Para isso, assim que percebe um padrão que ajude a explicar o mundo, esse padrão torna-se verdade e deixa de ser questionado. Daí pra frente, esse mesmo padrão passará a influenciar toda a percepção de mundo.

A atitude de reformulação é nada mais que um convite para dar um passo pra trás e pensar: será mesmo que é assim? Ainda ontem falei com amigos sobre isso de não ser atraente em boates (por causa do escuro, do barulho e da minha dança desengonçada), mas, repensando bem, eu não preciso dessa crença na minha vida.

Inclusive, tenho uma prática pessoal: eu sei que vou acreditar em um bando de coisas erradas, então mais fácil escolher acreditar só naquilo que é útil para a minha existência. Certamente não é a abordagem mais científica por aí, mas me faz um bem danado!

Essa atitude de reformulação serve para muitas coisas. Conheci uma menina que queria viajar, mas disse que precisava de dinheiro. Será que era dinheiro que ela precisava, ou de hospedagem, comida, contatos? Será que era hospedagem, ou lugar para dormir? A cada variação na pergunta, novas respostas possíveis começam a surgir.

Consciência

A vida fica mais leve quando passamos a encará-la como um processo. Na escrita, o sonho da obra perfeita é inimigo da criatividade. O mesmo vale para a vida: se penso em como as coisas devem ser, deixo de entender e aceitar como as coisas são.

Erros são parte de qualquer processo e entender como acolhê-los com carinho é uma habilidade essencial para não perder a estabilidade emocional. Infelizmente, vivo em uma sociedade que ensina que existem respostas certas (oi, provas na escola!) e pune os erros (já disse antes e repito: a punição é inimiga da educação).

Tomar consciência de que a vida é um processo me protege de sofrer demais quando algo dá errado. Quem diz isso de forma magistral é Jorge Drexler, com a música Sanar:

Tu corazón va a sanar
Va a sanar, va a sanar
Y va a volver a quebrarse
Mientras le toque pulsar
Y nadie sabe por qué un día el amor nace
Ni sabe nadie por qué muere el amor un día
Es que nadie nace sabiendo, nace sabiendo
Que morir, también es ley de vida

Colaboração radical

Também conhecida como pedir ajuda, essa atitude nos tira do isolamento da criação individual. Acho que não existe nada que não possa ser feito melhor com o auxílio de outras pessoas em vez de sozinho. Veja bem: não são quaisquer outras pessoas, mas sim aquelas mais adequadas para nos ajudar num dado momento específico.

Se preciso chegar em um lugar, é longe e um amigo que mora perto vai de carro, eu posso pedir carona. Se preciso descobrir como montar um site, posso perguntar à minha amiga programadora. Se quero escrever, posso montar um círculo de escritores. Se quero lançar um projeto, é mais seguro fazê-lo em grupo. Se não sei para onde ir, posso pedir informações.

Eu não estou sozinho, tampouco você está. Use isto a seu favor.

O que fazer com essas ferramentas?

Essas atitudes só ganham corpo se forem praticadas. Essa é a grande verdade para qualquer aprendizado em textos do Medium, iluminações no banho e reflexões em salas de aula. Tenho um mural lindo com várias anotações sobre persuasão, espaço aberto e técnicas de gamificação para produzir engajamento, mas nada disso de fato existe se não for praticado.

Um jeito bacana de fazer isso acontecer é se perguntar: qual o menor próximo passo que posso dar para usar tal coisa? Como posso olhar essa coisa que vejo todos os dias e já acho que conheço por inteiro de outra forma e usar a curiosidade para conhecê-la ainda melhor? O que estou protelando e posso fazer já? Quais crenças estão me impedindo de fazer algo que eu gostaria de fazer? Como estou avaliando meus erros? Quem pode me ajudar a resolver meu problema atual? Esse conjunto de ferramentas, junto com minhas reflexões sobre jogos (pequeno manual para o jogo da vida, por que as pessoas desistem, como ter mais motivação e como ganhar mais experiência), são parte do meu projeto secreto de gamificação da vida. Eu realmente quero falar sobre isso, mas tô me fazendo de difícil, então me ajuda e vem conversar ❤

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